Conheça o poder do conforto cognitivo para a experiência de aprendizagem na EAD

Para fins de clareza e objetividade do texto, manuais de redação em geral recomendam usar palavras simples e frases curtas. A ideia é que até uma criança de 5 anos entenda a mensagem. Faz sentindo, e a ciência tem um nome para isso: conforto cognitivo.

Esse conceito define a tendência de darmos mais credibilidade às mensagens compreendidas facilmente. Aplicada à educação a distância, é uma ferramenta que melhora a experiência de aprendizagem.

Para entender melhor esse fenômeno e usufruir dos benefícios dele, vamos falar um pouco sobre a natureza do cérebro humano.

Sistema 1 e Sistema 2

No livro “Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar”, Daniel Kahneman, prêmio Nobel de Economia, usa a metáfora de dois sistemas para o cérebro. Resumidamente:

  • Sistema 1: modo automático; emocional; impulsivo.
  • Sistema 2: mais controlável; racional; pensa antes de agir.

Partindo dessa premissa, o autor defende, baseando-se em estudos cognitivos, que o Sistema 1 atua na maior parte do tempo, pois gasta menos energia que o Sistema 2. Portanto, estamos sempre em busca de atividades que causem menos desgaste mental, o que inclui mensagens fáceis de entender.

Entendendo o conforto cognitivo

Se estiver perdido em uma multidão e encontrar alguém conhecido, você sentiria certa tranquilidade? Bom, o que é familiar transmite segurança e conforto. Por isso a tendência em preferir aquilo que já conhece.

Na redação do conteúdo de cursos on-line, ao usar palavras comuns e linguagem simples, você apelará diretamente ao Sistema 1 do aluno. Desse modo, tornará a experiência de aprendizagem mais leve e fluida, fora o fato de o conteúdo transmitir mais credibilidade.

Além disso, reduz o natural esforço de aprender algo novo. Seria duro ter de entender não só a matéria, mas também decifrar o texto em si.

O perigo da prolixidade

Outra boa razão para manter a linguagem simples e objetiva é a má impressão que a prolixidade causa nas pessoas.

Por acaso você já se deparou com alguém que rebusca a linguagem, mas, no final, não sabe o que está falando nem chega a lugar nenhum? Impossível dar credibilidade para gente assim.

E para completar essa experiência que todos vivenciamos, Daniel Kahneman apresentou um estudo sobre o tema. O resultado, como é de se esperar, demonstrou que os pesquisados confiavam menos em quem usava palavras difíceis para expressar ideias simples.

Isso é o oposto da credibilidade que o conforto cognitivo propicia.

E quando o assunto é complexo?

Existem assuntos complexos, abordados sobretudo em cursos de nível avançado. Nesses casos, é comum a utilização de termos menos conhecidos, frases longas e linguagem abstrata.

Todavia, há uma diferença entre dificultar o que é simples e expressar o que é complexo. Portanto, abordar temas complicados não é problema. O ponto, aqui, é evitar a redundância para não tornar ainda mais difícil o processo de aprendizagem on-line.

Tensão cognitiva na experiência de aprendizagem

Por falar em assuntos complexos, nem só de rosas se cria a experiência de aprendizagem. Lembra-se do Sistema 2, aquele mais racional?

A fim de melhorar o desempenho dos alunos e contribuir para a fixação do conhecimento, é importante eventualmente tirá-los da zona de conforto.

Para tanto, no conteúdo, proponha reflexões, faça perguntas e recomende materiais complementares. Não pode faltar, é claro, exercícios práticos ao final da parte teórica. A tensão cognitiva causada por esses desafios vai colocar o Sistema 2 em ação. A partir daí o aluno adota postura mais analítica, o que impacta positivamente o desempenho dele nas atividades.

Usufruindo do conforto cognitivo em cursos EAD

Com texto bem escrito e partes teórica e prática balanceadas, você aproveita a própria natureza do cérebro humano para melhorar a experiência de aprendizagem: o aluno poupa esforço na leitura e o investe na resolução de problemas críticos para assimilar o conteúdo.

Se você não for diretamente responsável pela criação do curso, não tem problema. Pode-se acompanhar o trabalho do designer instrucional, do criador de conteúdo e do revisor de texto. São esses os profissionais que darão o equilíbrio necessário para o treinamento, ou seja, propiciarão conforto cognitivo.

Você sabe como deve ser o produto final, e eles, quais técnicas aplicarem para que se chegue a esse resultado. Então fique de olho na produção.

Compartilhe com seus colegas para eles criarem essa visão também!

Imagem via Freepik

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